Cicatrização e queloides

A minha paciente é mulher de 31 anos, que tinha se submetido há cerca de um ano a uma abdominoplastia + mastopexia com prótese, com um outro cirurgião. Ela não teve uma boa cicatrização e além disso, queixava-se de dores no seio direito.

O quadro dela era complicado, a cicatriz foi totalmente anormal, ela teve diversos quelóides,  grandes e espalhados pelo abdome. Na mama, o diagnóstico foi de contratura capsular. Programamos ressecar a cicatriz abdominal e trocar a prótese de 285ml redonda baixa por uma 320ml redonda extra-alta. Logo após a alta, a paciente iniciou as sessões de radioterapia para diminuir as chances de novos quelóides. Abaixo detalhei mais!!

A cirurgia foi sob anestesia geral. Demorou um pouco… Ressecamos todas as cicatrizes e fizemos novas, mais delicadas. Na mama, trocamos as próteses, retirando toda a cápsula antiga. A nova prótese, extra alta, necessitou de um grande ajuste de pele para deixar a mama mais durinha. Retiramos pele e tecido, no total, 140 gramas. Ou seja, equivaleu a ter colocado, na verdade, uma prótese de 180g ( 320 – 140 = 180). Todas as cicatrizes receberam o Príneo (fita + cola cirúrgica).

Sobre a cicatrização e quelóide:

Infelizmente nenhum médico pode garantir a paciente como será a qualidade final da cicatriz. Diversos fatores atuam na cicatrização. Óbvio, a forma como é tratada a pele e como são dados os pontos durante a cirurgia, influenciam sim no resultado final, mas não são capazes ,sozinhos ,de determinar como será essa cicatrização!

Dúvidas mais comuns sobre cicatrização e quelóides:

“Minha cesárea ficou ótima. Então eu terei sempre uma boa cicatrização?”

Não, não é verdade! A cicatriz da cesárea está sob influência de concentrações diferentes de hormônios, está com a pele frouxa, sem tensão, ao contrário da grande maioria das cicatrizes da cirurgia plástica: a pele está esticada, tensa.

“O que pode atrapalhar a cicatrização?”

O tabagismo, o uso de corticóide, infecções, obesidade, diabetes, tensão na pele ( retirar muita pele na cirurgia), exposição precoce ao sol, movimentar a cicatriz antes da hora.

“O que pode ajudar na cicatrização?”

Uma alimentação balanceada ,rica em alimentos antioxidantes ( com vitaminas A, B, C, zinco,cobre e ferro ) ajudam numa boa cicatrização, pois agem na formação do colágeno. Eu costume prescrever, dentre outros itens, vit. C para as minhas pacientes, no intuito de ajudar na cicatrização.

“TODA CICATRIZ RUIM É QUELÓIDE?”

Não! Podemos ter diversos problemas na cicatriz, desde uma hipertrofia ( “a cicatriz fica grossa, mas não passa os limites do “corte”), a hipercromia ( cor escura demais), hipocromia (cor clara) à quelóides ( são como tumores espalhados por fora da cicatriz, não respeitam o limite de onde foi o “corte”).

“Como é tratada uma cicatrização ruim?”

O primeiro passo é a paciência! Não é mágico, é devagar e necessita de várias etapas. Nem sempre a cirurgia é a melhor solução. Fitas de silicone, compressão com malha, injeção de medicamentos dentro da cicatriz, microagulhamentos e laser podem ser indicados. No meu consultório eu conto com a parceria do @drtiagosilveira, dermatologista, para acompanhar os casos de cicatrização anormal.

E a cirurgia como é feita?

Quando indicada, a cicatriz é totalmente ressecada e é feita uma cicatriz nova. Já falei antes e repito: o uso de cola cirúrgica não influencia na qualidade final da cicatriz! Normalmente, o resultado é melhor do que na primeira cirurgia, visto que a tensão da pele costuma ficar menor ( a pele já cedeu e está menos esticada). Nos casos de quelóide é indicado a betarapia (um tipo de radioterapia) no dia seguinte a cirurgia.