A lipoenxertia de glúteos — também chamada de BBL (Brazilian Butt Lift) — é o aumento e modelagem dos glúteos usando a gordura da própria paciente, retirada por lipoaspiração de outra região e reinjetada no glúteo. É uma alternativa ao implante de silicone que aproveita a lipo para afinar a cintura e projetar o glúteo no mesmo procedimento — sem material estranho ao corpo.
Como eu avalio o seu glúteo antes de operar
Um bom resultado não é “colocar volume” — é planejar. Antes de operar, avalio o seu glúteo em quatro camadas, seguindo um método reconhecido na cirurgia plástica (a classificação de Mendieta): a estrutura de base (osso, gordura e pele), o músculo glúteo, as zonas de transição entre glúteo, quadril e coxa — onde ficam o culote e as depressões laterais — e a queda (ptose). A partir daí sigo uma regra: contorno primeiro, volume depois. Por isso dois glúteos do “mesmo tamanho” ficam diferentes — o que define o resultado é o formato do conjunto, não os mililitros.
Os formatos de glúteo
Na avaliação, o seu glúteo costuma se aproximar de um destes formatos — e reconhecê-lo é o que define a estratégia:
- Atlético: contorno firme e mais retilíneo, com pouca gordura lateral. Costuma pedir mais projeção do que redução.
- Coração: mais cheio embaixo e afinando em direção à cintura — o formato “de coração” invertido.
- Alongado: mais comprido no sentido vertical, tende a parecer mais plano; busca-se projeção na região central.
- Redondo: volume cheio e arredondado no centro — a referência estética clássica.
- Formato V: quadril mais largo em cima afinando para baixo; equilibra-se o quadril com a parte inferior do glúteo.
- Oval / Amplo: mais largo e volumoso no conjunto; foco em contorno e harmonia com a cintura e a coxa.

Como eu realizo — a Técnica M
Faço a lipoenxertia associada à Lipo HD: primeiro esculpo as regiões ao redor (cintura, flancos, dorso) com lipoaspiração de alta definição e, com essa mesma gordura — depois de tratada — projeto o glúteo. O ponto técnico decisivo para a segurança: injeto a gordura no plano subcutâneo, acima do músculo, nunca dentro dele.
O volume é definido conforme o desejo da paciente e a capacidade volumétrica do glúteo. O mínimo para uma boa projeção e contorno é 300 ml por glúteo; o contorno leva mais volume que a projeção.
Chamo o meu protocolo de Técnica M, em 8 passos:
- Tratamento dos culotes (ponto B de Mendieta).
- Tratamento da transição do glúteo com o quadril (ponto A de Mendieta).
- X spine.
- Preenchimento da porção inferolateral do glúteo, medial e superior ao culote, para arredondar o contorno e evitar uma quebra brusca entre a nádega e a coxa.
- Preenchimento da depressão trocantérica.
- Tratamento do banana fold e do sulco glúteo como uma unidade única.
- Confecção do contorno superior e medial por lipoenxertia superficial.
- Preenchimento, em três níveis, do ponto de maior projeção do glúteo.
As etapas, na prática
Anestesia geral. Coleta da gordura por Lipo HD nas áreas doadoras (cintura, flancos, dorso, abdômen, braços, coxas), purificação da gordura e enxerto no plano subcutâneo, modelando volume e formato. Tempo de cirurgia: 3 a 6 horas.
Quem é boa candidata
- gordura localizada em outras áreas (para servir de doadora) e pouco volume glúteo;
- desejo de mais projeção e contorno sem implante de silicone;
- flacidez glútea leve a moderada, assimetrias ou depressões;
- expectativa realista e disposição para seguir o pós-operatório.
Quem não deve fazer
- pacientes muito magras, sem reserva de gordura suficiente para o enxerto;
- doenças infecciosas ativas;
- histórico de trombose venosa profunda ou distúrbios de coagulação;
- tabagismo ativo — o ideal é suspender 30 dias antes;
- expectativas irreais.
Por que o plano subcutâneo importa (segurança)
O aumento de glúteos com gordura já foi apontado por sociedades internacionais como o procedimento estético de maior risco quando feito de forma inadequada. A causa dos casos graves é a injeção de gordura dentro do músculo, que pode atingir veias calibrosas e causar embolia gordurosa. Por isso, forças-tarefa como ASERF e ASPS recomendam a colocação exclusivamente no plano subcutâneo — exatamente a técnica que utilizo. Em todos os casos uso a tecnologia Vaser, que aproveita melhor a gordura disponível, mesmo em pacientes mais magras.
Recuperação e pós-operatório
- Sentar: não há restrição com a técnica que utilizo;
- Dormir de bruços ou de lado: liberado desde o primeiro dia;
- Cinta de compressão nas áreas de lipo por 60 dias;
- Drenagem linfática: sempre indicada;
- Retorno ao trabalho leve/sedentário: cerca de 14 dias;
- Exercício intenso: evitar por 45 dias;
- Estabilização do resultado: 4 a 6 meses.
Riscos e como eu reduzo
Como toda cirurgia, tem riscos: reabsorção parcial da gordura, assimetrias, seroma e edema nas áreas de lipo e — o mais grave, e o motivo da minha técnica — a embolia gordurosa, evitada pela injeção exclusiva no plano subcutâneo, nunca no músculo.
Alternativas sem cirurgia
Para casos selecionados (contorno, flacidez leve a moderada, projeção discreta) existem injetáveis. O ácido hialurônico entrega volume imediato, a partir de cerca de 40 ml por lado, com efeito temporário. Os biostimuladores de colágeno (hidroxiapatita de cálcio, ou ácido poli-L-lático das marcas Sculptra e Elleva) melhoram pele, flacidez e projeção de forma gradual — escolho um por caso, e não substituem a cirurgia para grandes ganhos de volume.
Comparativo
| Método | O que faz | Duração | Observação |
|---|---|---|---|
| Gordura própria (lipoenxertia + Lipo HD) | Volume e formato + afina a cintura | Duradouro | Cirúgrgico; plano subcutâneo; própria gordura |
| Ácido hialurônico | Volume imediato | Temporário | A partir de 40 ml/lado; sem cirurgia |
| Hidroxiapatita de cálcio | Bioestimula + preenche | Prolongado | Sem cirurgia; flacidez leve/moderada |
| Ácido poli-L-lático (Sculptra/Elleva) | Bioestimula colágeno | +2 anos | Sem cirurgia; várias sessões |
| PMMA | Preenchimento permanente | Irreversível | Proibido pelo CFM (Res. 2.461/2026) |
PMMA no glúteo: por que evitar
O PMMA é um preenchedor permanente e, no glúteo, envolve riscos inaceitáveis para fins estéticos: granulomas, nódulos, infecção, necrose, embolia e até óbito, muitas vezes anos após a aplicação — e, por ser permanente, a correção é difícil. O Conselho Federal de Medicina, pela Resolução nº 2.461/2026, proibiu o uso do PMMA como preenchedor em todo o Brasil, para fins estéticos e reparadores. A forma segura e permitida de aumentar o glúteo com material do próprio corpo é a lipoenxertia com a sua própria gordura.
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Perguntas frequentes
A lipoenxertia de glúteos usa prótese?
Não. Usa a gordura da própria paciente, lipoaspirada de outra região e reinjetada no glúteo.
Lipoenxertia de glúteos é o mesmo que BBL?
Sim. “BBL” (Brazilian Butt Lift) é o nome popular do aumento de glúteos com gordura própria. O que muda a segurança não é o nome, e sim a técnica: enxerto no plano subcutâneo, nunca no músculo.
A gordura enxertada some?
Parte da gordura é reabsorvida nos primeiros meses; a que revasculariza permanece de forma duradoura.
Quanto tempo é a recuperação?
Com a técnica utilizada não há restrição para sentar; dormir de bruços ou de lado é liberado desde o primeiro dia; cinta de compressão por 60 dias; retorno ao trabalho leve em cerca de 14 dias; exercício intenso após cerca de 45 dias; o resultado estabiliza em 4 a 6 meses.
Preenchimento de glúteo com ácido hialurônico funciona?
Sim, para volume e contorno em casos selecionados, a partir de cerca de 40 ml por lado. O efeito é temporário.
Bioestimulador aumenta o glúteo?
Melhora flacidez, pele e projeção de forma gradual. Não substitui a cirurgia para grandes ganhos de volume.
Posso fazer PMMA no glúteo?
Não. O CFM proibiu o PMMA como preenchedor em todo o Brasil (Resolução CFM nº 2.461/2026), inclusive para aumento de glúteo. A alternativa segura é a lipoenxertia com a sua própria gordura.
Quem tem pouca gordura pode fazer?
Sim, com a lipoenxertia com tecnologia Vaser, que aproveita melhor a gordura disponível.



